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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O problema do destino parte II

  O problema do destino e do imponderávelO Problema do Destino e do Imponderável por Pietro Ubaldi - Parte II 


 Qualquer que seja sua natureza, do bem ou do mal, tenderão sempre a percorrer o seu caminho até o fim e não descansarão enquanto não consumirem todo o impulso recebido. 

O bem e o mal, na realidade, existem personificados nessas forças. As do mal nos perseguirão como “Erínies” enfurecidas, gritando a todos nossas culpas e clamando por vingança, lançando-se contra nós, mordendo e despedaçando-nos. A tragédia humana está cheia delas. Como nos defendermos de um inimigo que está dentro de nós? Impossível nos escondermos. Impossível fazê-lo calar: não há barreiras de força ou de astúcia que o consigam. Eis então o armadíssimo involuido - desarmado, o lutador não mais sabe lutar; o forte está intimamente derrubado e arruinado. Eis que o homem involuido, pelos caminhos sutis do imponderável, tornou-se realmente um vencido. Desanimado diante do inalcansável inimigo, que não consegue compreender, sofre e se humilha, para compreender.

 Aquelas forças são inexoráveis, são o destino, representam a lei de Deus, a inviolável justiça que tentamos violar e que, fatalmente, reconduz agora cada coisa a seu lugar. Os recursos humanos esmigalham-se contra essas potências silenciosas do destino. Elas abatem qualquer defesa, transpõem todas as portas, do rico ou do pobre, do poderoso ou do humilde. Uma única coisa as detém, inofensiva como a palavra de uma criança, leve como a asa de um anjo, imponderável e suave como uma oração: a inocência. Sermos inocentes! Essa pequena coisa se encaminha na direção da impetuosa potência da força e a faz parar, porque isto quer a Lei: que o honesto seja defendido e a justiça triunfe. 

 Se, ao invés do mal, implantamos o bem em nosso passado, as criações que geramos serão de natureza completamente diversa. Também com o tempo crescerão, tornar-se-ão maduras, atingindo o seu efeito no mundo externo da manifestação das causas. Em lugar, porém, de assediar- nos a vida como inimigos, lançando sobre nós o sofrimento, estarão ao nosso lado, acariciando-nos, encorajando-nos como nossos amigos mais queridos. O involuido não sabe que o presente não se improvisa, não se forma apenas do próprio presente, e, sim, em grande parte do passado; também não sabe que a vida, no seio de um organismo complexo e perfeito qual é o universo, não é uma louca aventura, e, sim, um crescimento lógico e orgânico.

Coisa alguma se improvisa do nada, mas, tudo volta e torna a voltar nas ondas do tempo, tudo se liga aos grandes ritmos da Lei, em conexão com suas causas, de que não pode separar-se, avançando por graus e por fases: germinação, crescimento, manifestação, esgotamento. 

No universo tudo está unido pela lei de causalidade, que tudo encadeia no desenvolvimento do tempo. Coisa alguma nasce senão por filiação, isto é, através duma derivação causal; e por isso, tudo revive sempre indestrutível nas suas conseqüências, em que necessariamente se continua. Como no filho se desenvolve o pai, como a árvore é o desenvolvimento da semente e a ação nasce da motivação, assim também, por uma concatenação inseparável, toda causa se prolonga no seu efeito. 

 Todo fenômeno, no seu movimento evolutivo através do tempo, oscila entre estes dois extremos, constituindo um dualismo que não se isola numa forma fechada: princípio - fim, mas que se engancha continuamente no seu extremo final como um novo extremo inicial e se alonga, assim, ao infinito. Se, portanto, pela lei da causalidade, tudo é filho do passado, a vida se torna, então, um jogo vasto e complexo, por longas preparações, e a vitória é determinada por dinamismos acumulados que emergem de um armazém interior, que pode estar cheio ou desprovido, rico de provisões benéficas ou maléficas, úteis ou venenosas - o misterioso armazém da alma que o homem involuido não enxerga. 

As posições terrenas são aparentes e iludem. Por isso, o pigmeu pode ser substancialmente um gigante e o gigante, um pigmeu. Daí a invisível força de tantos inermes, a desconhecida grandeza de tantos humildes. A posição humana exterior é fictícia. A casa interior pode ser habitada por amigos ou inimigos, pelo bem ou pelo mal, por anjos ou demônios. Eis o armamento moral do homem evoluído: as boas obras, o haver cumprido o próprio dever, isentando-se de sanções, ser inocente de culpas. O nosso passado já está feito e lançou a trajetória de nossa vida. Assim como uma longa evolução orgânica construiu o nosso atual tipo biológico que, qual é, resiste a qualquer rápida deformação ou mudança, também através de um longo caminho se formou e definiu nossa constituição moral, viveiro de instintos aninhados no subconsciente e radicados bem longe, no passado. A forma é definida, mas não definitiva, porquanto o transformismo continua sempre e nada pode considerar-se definitivamente fixado. Permanece sempre aberta a porta para a expiação e a correção, pois a liberdade, embora enlaçada pelas conseqüências do passado, permanece inviolável e inviolada, sempre senhora de introduzir no destino novos impulsos e, com novos esforços, corrigir-lhe, como quiser, a trajetória. 

Suprimido o peso do passado que nos prende, o futuro é sempre livre. Uma das principais características deste mecanismo de forças é a possibilidade de isolar o próprio destino de um destino alheio. Ao lado de cada um falam e entram em ação as suas obras e não as do próximo. Cada um pode semear em seu campo o que desejar e ninguém pode fazê-lo em seu nome. A semeadura é livre, porém, a colheita é obrigatória. Somos livres, mas, responsáveis. Absoluta é a independência no semear o bem ou o mal; também absoluta é a obrigatoriedade de recolher o fruto de toda a semeadura. Eis porque o sábio procura nas causas profundas e longínquas as raízes de seu estado presente e com uma previdência que enxerga ao longe prepara seu futuro. Não importa se os outros ignoram estas leis. 

Quem erra paga pelo erro, e pagando aprende. A maravilhosa justiça da divina lei está, porém, nisto: cada um permanece livre e, em qualquer ambiente em que viva, pode, como quiser, perder-se ou salvar- se. A beleza está no fato dessa liberdade permanecer sempre garantida e o indivíduo ser independente, senhor absoluto, sempre, do próprio destino, senhor de construí-lo a seu modo, em qualquer tempo e lugar. 

Assim, num mundo em que o involuído, que não sabe, com seus sistemas impera e triunfa, ninguém pode impedir ao evoluído, que sabe, de escolher e seguir o seu caminho, nele recolhendo frutos abundantes. Conforme a ação que se antepõe, a Lei dá a cada um sua resposta, sabendo contemporaneamente funcionar, comportando-se diferentemente em planos e formas diversas.

 Desse modo, a fundamental liberdade de cada indivíduo é a tal ponto respeitada, sem ofender o princípio de responsabilidade, que ele pode sempre separar seu destino de qualquer destino alheio, pode conservar a mais completa autonomia de trajetória no meio do mais complexo entrançamento de forças, pode atingir as metas que quiser; pode perder-se, livremente, no meio da salvação de muitos, ou salvar-se no seio da perdição universal. O resultado é garantido, tanto no bem como no mal. O justo pode, assim, avançar em seu caminho, embora colocado num mundo de demônios. É o próprio passado, as obras, o mérito, o que importa diante de Deus.

 Postado por Paulo Henrique de Moraes

by http://apanaceiaessencial.blogspot.com.br/

pinturas de animais

expressionismo

EXPRESSIONISMUS

em animais por  em 08 de dez de 2012 às 15:57
Animalização da arte, a simplificação formal e cromática para expressão de natural beleza por olhos de carinho.


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Em Munique, filho de um pintor paisagista e de uma protestante francesa, nasceu um dos maiores representantes do movimento expressionista da Alemanha. Franz Marc estudou na Munich Art Academy, e mesmo que seu nome tenha tido destaque dentro do expressionismo, sua arte ainda variou pela influência do impressionismo, futurismo, cubismo e abstracionismo. Durante a primeira guerra mundial, Franz apresentou-se como voluntario, mas após determinado tempo o governo alemão o havia identificado como um artista notável, porém, no dia do anuncio de sua volta para casa, o artista morreu após ser atingidos por estilhaços de uma bala de canhão.
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by Oviousmag.org
hermannvherner
Artigo da autoria de Hermann Vherner.
Como prévia aos interessados, curiosos ou mal intencionados, posso dizer que sou Biólogo, Taurino, Tranquilo e Apreciativo. Para mais, terá que experimentar!.

domingo, 9 de dezembro de 2012

olhos arteiros

olhos arteiros

Incríveis exemplos de arte em seus olhos



Svenja Jödicke é uma artista que adora criar obras de arte “ao redor dos olhos”. As maquiagens feitas pela alemã possuem um realismo surpreendente.
Utilizando materias que vão desde um botão a diversos insetos, ela consegue criar paisagens e imagens mágicas.
Confira um pouco do trabalho de Jödicke.
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arte e maquiagem ariel_thumb[1]
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arte e maquiagem botoes_thumb[2]
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arte e maquiagem laco_thumb[1]
arte e maquiagem lesma_thumb[1]
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arte e maquiagem tigresa_thumb[1]
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Adaptado de pipocadebits

sábado, 8 de dezembro de 2012

Sobre a Maturidade

por larissa caramel em 07 de dez de 2012 às 13:55 

  Por mais que precisemos corresponder a certos rótulos em nosso convívio social, não devemos nos tornar reféns daqueles que nos rotulam. 

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Muito se fala sobre maturidade e pouco se fala sobre quais atributos compõem o estado maduro de um indivíduo, condição daquele que atinge o completo desenvolvimento comportamental. Dizem que maduro é aquele que aprende a ter uma postura não reativa. Porém essa atitude pode refletir nada mais que alguém conformado e descompromissado. Afinal, não somos reativos com o que não nos importa ou com o que não temos energia para contestar. É também conhecido como maduro aquele que sabe pesar e medir o que fala e para quem fala. Nada que alguém com bom uso da política ou com certo talento para sociopatia não faça todo o tempo para obter o que deseja. Maturidade também aparece como estado que se atinge com o avançar da idade. Certamente o que aumenta com a idade é a experiência de vida, mas a qualidade desta experiência pode variar completamente e não é referência para generalizações. Também são chamados de mais maduros os quietos e reservados. A timidez e introspecção estão muito relacionadas a comportamentos imaturos e inseguros, mas na balança do senso comum, imaturo é basicamente quem está fazendo barulho. Maturidade, para esta que vos escreve, é um estado de consciência desperta. Maduro é quem está ciente de que deve respeitar a expressão alheia, a maneira com que o outro fala, age e conduz a própria vida. É quem entende que quando julgamos, estamos mais propensos a mostrar nosso posicionamento do que realmente analisar a situação do outro. Maduro é quem é capaz de enxergar os próprios defeitos, e ciente disto, avalia e reage aos eventos de maneira consciente. Afinal de contas, somos repletos de defeitos e a grande maioria nem é tão condenável assim. Por fim, aquele que menos se importa com a impressão causada pode ser rotulado de imaturo, mas surpreendentemente pode ser aquele que está mais perto do dito completo desenvolvimento.

um gigante no banho

                                                                  

Hamburgo, Alemanha

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Será verdade??????


Lendas Urbanas - Canetas BIC

caneta bic

Devo admitir que este relato é dos mais bizarros que já li...mais uma lenda urbana..
"Acredito que sempre que pensamos em "caneta", temos uma imagem projetada em nossa mente, a qual diz respeito às famosas canetas BIC. Esta marca de canetas, que investe pouquíssimo em propaganda, fixou uma imagem muito forte diante a tantas outras marcas e modelos. Você já se perguntou como isso aconteceu? Certamente responderá que, por ser uma caneta barata, simples e de fácil acesso, tornou-se "convencional" o seu uso no dia-a-dia, desde a escola até a empresa onde trabalha. Pois bem, a resposta não é assim tão simples! Documentos secretos encontrados no final do ano de 2001 indicam um envolvimento direto da NASA com a BIC. Também foram encontrados documentos oficiais da NASA, onde estavam registrados estudos sobre uma possível invasão de sondas extraterrestres no Planeta Terra.
Acredite ou não, estamos sendo vigiados há anos sem percepção alguma. De fato conclui-se que as canetas BIC são sem sombras de dúvida sondas extraterrestres que nos inspecionam diariamente, desde nossa infância até hoje, em casa, na escola, na universidade, nos hospitais, no trabalho, em tudo. Certamente você está exposto a uma caneta BIC neste exato momento; olhe ao seu lado, dificilmente num raio de 15 metros não haverá uma sonda. Agora pense comigo: Ao nascer você é registrado com uma caneta, ao entrar para a escola/universidade também, tudo o que você escreve, desde estudos até cartas de amor é escrito com uma caneta, ou seja, estes seres que nos observam sabem de absolutamente TUDO sobre TODOS.
O verdadeiro significado da marca BIC é: Big Inspekto Center (ou Centro de Grandes Inspeções). No logotipo da BIC notamos um alien tentando esconder atrás dele seu maior segredo: uma caneta que pode contar toda a história de todos os tempos (simbolizado pelo traço preto atrás do alien).
Vejamos agora algumas dicas que nos levam a propor esta idéia: -As canetas BIC são facilmente encontradas para serem vendidas,porém depois que você já a possui, ela sempre aparece em diferentes locais e você nunca se questiona se realmente havia deixado onde encontrou. -Mesmo que você compre apenas uma caneta BIC, certamente encontrará várias no local onde a deixar. Elas se multiplicam rapidamente, sem ser perceptível a nós dotados de uma visão banal para a visão alienígena. - Após poucos meses, a caneta que você havia comprado, simplesmente desaparece. Isso é facilmente decifrável se pensarmos da seguinte maneira: tudo necessita de energia para sobreviver (o homem, o carro, as plantas, sua TV), e ao acabar esta energia, ela precisa ser reposta. Assim, a sonda BIC tem um período de vida curto, visto que quando se encontram gastas, elas simplesmente se desintegram para uma possível recarga.
A mensagem que quero deixar é que você tenha muito cuidado ao se deparar com estas canetas-sondas, principalmente com as sondas mais avançadas, vulgarmente chamadas de BIC 4 Cores, BIC 2 CORES ou mesmo a tão temida e perigosa BIC VERDE! Esta última jamais deve ser colocada (presa) em cima da orelha, pois além de enviar dados e informações sobre você para os alienígenas consegue influenciar de maneira drástica sua forma de pensar, tornando-o um escravo a serviço alienígena.
Torno a repetir: CUIDADOS COM A MANIPULAÇÃO ALIEN! Já estamos todos envolvidos nisso. Tentar qualquer forma de fuga ou apatia não é aconselhável. Saiba lidar com elas! Desta forma acredito que não mais estaremos expostos a uma ideologia alien, e poderemos defender o que realmente pertence a nós: o Planeta Terra! Serviço Secreto União dos povos."

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O Problema do Destino e do Imponderável por Pietro Ubaldi - Parte I

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Agradeço ao público, a que tenho a honra de falar, pela 
atenção que me concedem. Lerei esta noite um trabalho meu sobre o importante problema de nosso destino. Inicio logo o argumento, estabelecendo a pergunta: existe em nossa vida um destino? E, se existe, até que ponto tem ele o poder de enlaçar nossos atos? Existe nestes uma zona de fatalidade? E até que ponto esta exclui nossa responsabilidade? Devo presumir, como já admito, o princípio de causalidade; mas pergunto: até que ponto o efeito é ligado a causa de modo a excluir o livre-arbítrio? Tentemos responder a estas perguntas, procurando penetrar no mundo do imponderável, cujo funcionamento veremos depois.

    A atuação de uma ação nossa representa o arremesso de uma força de nossa personalidade espiritual sobre o mundo exterior. Essa força segue uma trajetória própria e sofre as leis do mundo dinâmico. Nossa responsabilidade também é uma força lançada sobre seu tornar-se, ao longo do caminho da evolução. Esse paralelo com o mundo dinâmico nos indica o que sucede no mundo imponderável de nossa personalidade.     Quando lançamos uma pedra, somos livres de lançá-la com a força e na direção que quisermos, mas, depois, uma vez lançada, a pedra seguirá por si mesma através do espaço, como um ser autônomo, com impulso próprio e uma trajetória sua, até o esgotamento do impulso que de nós recebeu. Enquanto está em sua fase de causa, o fenômeno assume caráter de livre escolha; contudo, em seu segundo aspecto, isto é, em sua fase de efeito, assume caráter de determinismo. Este paralelo entre o mundo dinâmico e o mundo do pensamento e da ação humana, é lógico e autorizado em um universo orgânico como o nosso, dirigido por um princípio unitário e por esquemas únicos, repetidos em várias altitudes e em todas as combinações possíveis. É precisamente este indiscutível fato da estrutura orgânica do universo, que nos permite deduzir, partindo das zonas conhecidas, as relações das zonas ignoradas. Somente com este sistema é hoje possível sondar o imponderável, descobrir-lhe as leis e estabelecer-lhe o funcionamento, chegando a resultados que o enquadram na fenomelogia universal, satisfazendo perfeitamente a nossa razão. Não podemos pedir à ciência positiva e objetiva que aceite os resultados que assim obtemos, senão como hipótese de trabalho. À análise competem, posteriormente, a prova e a demonstração. Enquanto isso não se der, porém, já foi obtida a orientação, fato que permite dirigir a pesquisa na direção dos gânglios vitais dos fenômenos, sem dissipá-la em contínuas tentativas.

    No arremesso, portanto, de nossas ações, da parte de nossa personalidade espiritual, acontece precisamente o que se verifica no lançar de uma pedra. Todo o nosso ser se centraliza em nosso eu ou espírito, que é justamente um organismo de forças, donde é lançado aquele impulso que se dirige do interior imponderável para o ambiente externo, onde, sob a forma de ação, se imprime na sua manifestação material, concreta. É assim que o imponderável atinge sua expressão exterior, objetiva, verificável pelos sentidos.     Observemos o mecanismo deste fenômeno. As forças que nós, com nossas ações, movimentamos no passado, representam, uma vez lançadas, uma vontade autônoma, um impulso que automaticamente, por inércia, tende a continuar movimentando-se e a conduzir-nos adiante, na direção inicial. Se, inicialmente, nós movimentamos nossas obras, agora elas nos movimentam, arrastando-nos não para onde hoje queremos, mas, para onde ontem quisemos. O passado não morre, mas revive sempre no presente. Nossas obras nos acompanham. Em face de tal estrutura orgânica da vida, em que se observa uma concatenação causal, a longo prazo, onde o presente é preparado pela passado e o futuro se baseia no presente, a filosofia “carpe diem” é uma forma de inconsciência. A liberdade, que julgamos ser sempre virgem e completa, só o é na fase inicial de nossas ações; ela não pode permanecer sempre no estado neutro de escolha, mas se fixa e se coagula num determinismo que representa o lógico encadeamento, por continuação, que vem desde o impulso dado. E este vem a constituir também um impulso no nosso destino, ligando aquela liberdade às suas próprias conseqüências; já agora não se pode impedir a continuação daquele impulso, senão por um outro, corretivo e contrário. Assim, nossas obras, nascidas por nossa vontade, tornam-se vivas e, como que animadas por uma vontade própria, são ativas e agem por nós, como criações nossas.     Nossa personalidade é um fenômeno continuativo em que os momentos sucessivos de seu tornar-se se acham entrosados, em que as forças por nós tornadas próprias se determinam e se arremessam, não podendo ser anuladas senão depois de completo desenvolvimento e exaustão. Elas formam, por qualidade e quantidade, a nossa força; e o passado fica fazendo parte de nós tanto quanto o presente. Elas vêm a ser a definição de nós mesmos, um fato completo que não é fácil modificar; vivem em nosso destino sob essa forma de fato que, no entanto, nunca é absoluto, pois no movimento incessante da vida é sempre suscetível de retoques e alterações.

    À medida que nossa vida prossegue, o novo que nos chega cada dia, se já não nos estava anteriormente vinculado, é livre e no curso de nossa vida, com as nossas ações, nós o encadeamos. Assim avançamos, ligando nossa própria liberdade a esta ou aquela coisa, até que o impulso se esgote e a trajetória finde. Em se desenvolvendo, porém, o fio da vida traz sempre uma nova e virgem liberdade, que vamos sucessivamente encadeando e cristalizando no determinismo, até que a abandonemos no passado, assim cristalizada, após haver concluído o ciclo da experiência. A liberdade é interior, situa-se no centro da personalidade, vive no reino das motivações; é daí que a atividade se dirige para a periferia e se expande no mundo exterior da manifestação, que é o reino do determinismo. Tanto esse ligar-se como esse extinguir-se no determinismo correspondem às características dos dois mundos, interior e exterior, que as forças motrizes de nossos atos percorrem, nascendo no primeiro, centro da personalidade, e extinguindo-se, esgotando-se no segundo, na periferia, no mundo exterior.

    Assim como com a germinação constante de novas ações, uma sempre nova e intacta liberdade nos espera; assim também no período de sua maturação um farnel de fatalidade sempre nos acompanha e nos envolve como uma nossa atmosfera, formando uma espécie de casca dinâmica que aprisiona nossa personalidade. É a Nêmesis da vida, que pode esmagar-nos ou erguer-nos, como ontem quisemos que hoje fosse. Do mesmo modo que os filhos exprimem as qualidades dos genitores, assim aquelas criações testemunham nosso passado e querem viver, manifestar-se e agir tais quais são, sendo impossível destruí-las ou impor-lhes silêncio. Elas gritam por si mesmas e querem como nós a quisemos. É delas o poder de afirmar: “este é inocente”, ou: “este é culpado”. Podem abençoar ou amaldiçoar, pedir um prêmio ou exigir uma punição. Se foram movimentadas para os caminhos do bem, tendem a salvar-nos; se o foram para as vias do mal, não se deterão enquanto não conseguirem desgraçar-nos. E isso porque representam uma causa que reclama seu efeito, um impulso que quer esgotar-se na direção em que foi lançado.