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terça-feira, 14 de maio de 2013

Colonizar Marte: alguém se candidata?


Primera piedra para colonizar Marte: un proyecto privado recibe su primera inversión

Publicado: 31 ene 2013 | 23:21 GMT Última actualización: 31 ene 2013 | 23:21 GMT
La organización holandesa Mars One, que tiene como objetivo establecer la primera colonia humana en Marte dentro de diez años, informa que ha recibido las primeras inversiones para el proyecto.
"La organización de un vuelo a Marte es una tarea extremadamente compleja. Será necesario superar muchos obstáculos y los millones de dólares que hemos recibido en los últimos meses son una pequeña parte de los miles de millones necesarios", indicó Kai Staats, Director de Desarrollo de Negocio. Para llevar a cabo este ambicioso plan de colonización, se requieren al menos 6.000 millones de dólares, estima Mars One, ya que deberá desarrollar dispositivos y aparatos que son muy costosos, como naves y trajes espaciales, vehículos de transporte y módulos habitables para lasfuturas misiones tripuladas. 

Mars One viene buscando voluntarios para el proyecto desde hace ya varios meses. Los solicitantes deben tener al menos 18 años, gozar de buena saludmental y física, y estar dispuestos a someterse a un programa de capacitación que durará alrededor de ocho años. 
La compañía tiene pensado lanzar este año el primer 'reality show' de selección de candidatos para el primer vuelo, lo que atraería fondos adicionales para financiar el proyecto.  A mediados del año pasado la compañía anunció que el primer equipo, formado por cuatro personas, partirá en 2023 y esperan que tarde unos 7 meses en llegar a su destino. A partir de esa fecha planean enviar cada dos años a un par de astronautas para que se unan a la aventura marciana de construir y desarrollar bases. Eso sí, sin billete de vuelta.


http://actualidad.rt.com/ciencias/view/85314-colonizar-marte-proyecto-inversion

elefantes

                           
Achei este desenho muito bonito, e compartilho com vocês.


"É melhor um passo lento por caminho reto do que muita velocidade fora do caminho." 
(São Leão Magno)

_____________________arte de A.Jansson




                         

sábado, 11 de maio de 2013

Mais matéria sobre os campos morfogenéticos.


Rupert Sheldrake e os campos morfogenéticos: uma contribuição à teoria dos arquétipos

Achei a matéria anterior muito interessante, apesar de apresentar conceitos complicados para um leigo. Mas é assim que expandimos nosso conhecimento. Por isso, coloco aqui mais um artigo, retirado do site http://ijusp.org.br. Espero que, como eu, existam mais leitores que se interessem por este assunto, relativamente novo, mas que ao mesmo tempo nos leva um pouco mais adiante e nos faz pensar. 

"Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia." (William Shakespeare)


O presente artigo tem como finalidade uma breve exposição acerca das similaridades, e de uma possível convergência, entre as teorias elaboradas pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake e as construídas pelo médico suíço Carl Gustav Jung. Na década de 80, final do séc. XX, quando Sheldrake propôs sua inovadora teoria sobre a Ressonância Mórfica e a Causalidade Formativa, tal correlação surgiu de imediato. Porém, o próprio autor, apesar de ciente da teoria Junguiana, não seguiu adiante em possíveis correlações, visto que não era este seu objetivo. Nas idéias que se seguem, tentaremos dar maior amplitude a tais correlações, visando sempre à integração do conhecimento, atitude ressaltada por Jung como de fundamental importância para a Psicologia.
A motivação para este trabalho ocorreu-me logo após meu primeiro contato, por indicação de um grande amigo, com as idéias de Sheldrake acerca dos Campos Morfogenéticos. Porém, pela limitação de minhas compreensões, evitei qualquer aventura escrita a respeito. Por ser um conhecimento um tanto quanto novo, e por exigir uma reflexão um pouco mais “ousada” por parte daqueles que a apreciam, a teoria acerca dos Campos de Sheldrake não encontra, ainda, em nosso meio acadêmico (refiro-me ao meio no qual vivo, ou seja, Norte do Brasil), certa repercussão. Tal fato julgo ser devido, se não a total, mas a grande incompreensão e desconhecimento acerca da mesma. Vivemos um momento de grande atraso no pensamento. Os integrantes de nosso mundo acadêmico andam impregnados por um entendimento antiquado do conhecimento científico. Basta dizer que a maioria ainda julga ser os avanços da Física mera ficção científica. Sem dúvida, tal fato não ocorre por acaso. Contra todo e qualquer avanço do entendimento, sempre há de trabalhar os mais fortes e recônditos motivos afetivos capazes tornar a vida um pouco mais “segura”. A nossa psicologia está atordoada. Perdida no torvelinho das vaidades, já se esqueceu da unidade de seu objeto de estudo, e da pluralidade na existência do mesmo. Lamentavelmente, ainda existem aqueles que pregam a escolha de um único caminho aos que pretendem por ela caminhar, sem se dar conta que todo e qualquer caminho contempla a totalidade apenas parcialmente, daí ser complemento de todos os outros, e não definitivo em si. Como se sabe, tal estado de coisas não é novidade. Porém, como sempre aconteceu no decorrer de toda a história, são as novas idéias que trazem consigo a possibilidade de se olhar para fora da caixa, para além de elaborações equivocadas, “secretamente” elaboradas na sombra do entendimento de certos tipos de pessoas. Neste ponto, Sheldrake e Jung partilham do mesmo papel. Cada um há seu tempo, vieram mostrar novas possibilidades, expandir novas fronteiras. No caso do presente trabalho, enfocaremos como a teoria de Sheldrake pode descortinar novos entendimentos acerca de problemas propostos pela teoria Junguiana, e vice-versa. A seguir explanaremos sobre tal teoria, apontando no contínuo do raciocínio do autor inglês as conexões com a Psicologia Analítica.
Mas afinal, de quê trata Sheldrake? E em que uma teoria da Biologia poderia ter a ver com a Psicologia Analítica?
Pois bem, a proposta do autor inglês pode ser resumida, ainda que parcamente, da seguinte forma: Existe um princípio diretor, ainda não reconhecido pela Física e nem pela Química, que ordena toda e qualquer organização, de todo e qualquer sistema material. Exemplo: a organização dos elementos físico-químicos em átomos, moléculas, tecidos, órgãos etc. Por que tais estruturas se dão de uma forma tão específica e estável? De milhares de possibilidades de combinações de DNA, por que apenas uma determinada organização se dá, e de forma tão característica? Qual é causa disso? Rupert Sheldrake se ocupa do problema da morfogenia, ou seja, como e porque certos elementos se agregam para dar origem a sistemas específicos e com umaforma característica, como por exemplo, um coração humano.
Esse princípio diretor é chamado por Sheldrake de Campo Morfogenético. Em seu livro A New Science of Life (London: Blond & Briggs, 1981; pág. 13), o autor, em um primeiro momento, esboça o que seria tal campo: “These fields order the systems with which they are associated by affecting events which, from an energetic point of view, appear to be indeterminate or probabilistic; they impose patterned restrictions on the energetically possible outcomes of physical processes”. Porém, Sheldrake não demora a expandir este conceito. Para o autor, um campo morfogenético associado a determinado sistema, por exemplo, um tecido muscular esquelético, direciona a dinâmica do funcionamento de tal sistema, em todos os níveis de complexidade. Na verdade, este campo é formado pela soma de uma série de outros campos que controlam desde a dinâmica molecular dos íons de cálcio, até o deslizamento que ocorre entre as microfibras ocasionando a contração muscular. Tal organização dessas estruturas diretoras se dá hierarquicamente, permitindo que cada campo morfogenético oriente o sistema ao qual está associado não apenas em relação a si mesmo, mas em consonância com a globalidade do processo em que está inserido. No mesmo livro citado(pág. 87), Sheldrake esclarece: “In living organisms, as in the chemical realm, the morphogenetic fields are hierarchically organized; those of organelles – for example the cell nucleus, the mitochondria and chloroplasts – act by ordering physico-chemical processes within them; these fields are subject to the higher-level fields of cells; the fields of cells to those of tissues; those of tissues to those of organs; and of organs to the morphogenetic field of the organism as a whole”.
Podemos indicar aqui um primeiro ponto de encontro entre Jung e Sheldrake. Ambos elaboram um conceito central que tem por finalidade a coordenação dos fenômenos por eles pesquisados. A teoria junguiana vê no arquétipo não só um elemento formador, mas também um princípio norteador de todo o psiquismo humano. Nas palavras de Jung: “… o arquétipo representa o elemento autêntico do espírito, mas de um espírito que não se deve identificar com o intelecto humano, e sim com o seu spiritus rector [espírito que o governa]. O conteúdo essencial de todas as mitologias e religiões, e de todos os ismos é de natureza arquetípica.” (A Natureza da Psique, Editora Vozes, 2000; pág.143).
Dessa forma, estabelecemos uma primeira correlação entre as teorias aqui citadas. De acordo com Jung, o simples fato de se procurar um princípio ordenador, seja qual for o fenômeno em que isto se faça, já é por si só uma apreensão arquetípica deste aspecto da realidade. A psique há de criar sempre formas espontâneas, estruturas primordiais, que nos permitam fundamentar a nossa existência, preenchendo-a de sentido. Da mesma forma, diz Sheldrake a respeito de todo e qualquer sistema material. A este haverá sempre um campo morfogenético conectado, originando-o, organizando-o, dirigindo-o.
Juntamente com idéia de campo morfogenético, Sheldrake elabora outro conceito de fundamental importância para sua teoria. Fazendo isso, o autor visava compreender a razão pela qual os sistemas materiais existentes no passado, como, por exemplo, uma árvore de carvalho, continuam a se organizar da mesma forma hoje em dia. Rapidamente, poderíamos dizer que tal fato seria devido à transmissão genética. Mas, o próprio Sheldrake adverte que isso não responderia a questão, pelo contrário, apenas a deslocaria. Atualmente, a ciência ainda não conseguiu identificar os mecanismos que controlam e determinam a atividade genética. Para Sheldrake, tal fenômeno ocorre pelo simples fato de que os novos sistemas surgidos se associam com o mesmo campo morfogenético que orientava o sistema anterior. Porém, esta conclusão leva o autor a um novo questionamento: Como e por que os campos morfogenéticos existentes hoje se dão da mesma forma que no passado? Como este princípio diretor sobrevive através do espaço e do tempo?
De forma um tanto resumida (por não ser o aprofundamento dessa teoria o enfoque do presente trabalho), o autor afirma que, entre todo e qualquer campo morfogenético semelhante, ou seja, entre aqueles que orientam sistemas materiais semelhantes, ocorre um fenômeno pelo qual os campos se comunicam. A este fenômeno Sheldrake chama de Ressonância Mórfica. Segundo ele: “Morphic resonance takes place through morphogenetic fields and indeed gives rise to their characteristic structures. Not only does a specific morphogenetic field influence the form of a system (…), but also the form of this system influences the morphogenetic field and through it becomes present to subsequent similar systems”. (A New Science of Life (London: Blond & Briggs, 1981; pág. 96)
Sheldrake esclarece que nem o campo, nem a sua ressonância são algum tipo de energia, mas, se comportam nos moldes dos campos energéticos e de suas ressonâncias. Para o autor, tais princípios agem sobre a matéria, mas não fazem parte da mesma. Portanto, ambos os fenômenos estão livres das leis que governam o movimento das partículas, dos corpos e das ondas. A principal conseqüência disso será que todo campo, e principalmente sua ressonância, não serão atenuados por nenhum tipo de separação espaço-temporal. Assim, estaria esclarecida, segundo a teoria de Sheldrake, a conexão que permite a viagem da informação, o campo morfogenético, através do espaço e do tempo.
Sem dúvida, o que foi dito acima é pouco para esclarecer as idéias do autor inglês. Mas, acreditamos ser suficiente para os fins deste texto. Relembrando, nosso objetivo aqui é relacionar tais idéias com as de Jung, e para isso escolhemos uma breve exposição dos conceitos de Sheldrake, já que este não é tão conhecido quanto o primeiro. Feita tal descrição dos dois conceitos que julgamos serem fundamentais para o nosso trabalho, seguiremos a partir de agora em direção a segunda pergunta, feita ainda no início deste texto. Como relacionar tais conceitos com a Psicologia Analítica?
Primeiramente, vale citar como Sheldrake sinaliza a importância de suas idéias para a psicologia em geral: “… an understanding of behaviour presupposes an understanding of morphogenesis. For example, even if all the behaviour of a relatively simple lower animal, say a nematode worm, could be understood in detail in terms of the ‘wiring’ and physiology of its nervous system, there would still be the problem of  how the nervous system with this characteristic  pattern of ‘wiring’ came into being in the animal as it developed” ( A New Science of Life (London: Blond & Briggs, 1981; pág. 24).
Na medida em que todo comportamento, considerando aqui apenas o aspecto orgânico deste fenômeno, engloba necessariamente o movimento, seja este do organismo em geral, ou apenas das suas estruturas internas; e que este movimento se dá, exclusivamente, através das modificações morfológicas nas estruturas responsáveis por tal ação (da menor organela celular, até os órgãos ditos involuntários); podemos concluir que todo e qualquer comportamento depende necessariamente da ação morfogenética.
Por exemplo, os instintos controladores da alimentação, da adaptação, da regeneração, da regulação do organismo, e da reprodução do mesmo são em última análise orientados pelos campos morfogenéticos responsáveis não só pelas estruturas especializadas em cada ação (sistemas digestivo, circulatório, sexual etc.), mas também pelo comportamento enquanto uma entidade global. Ou seja, respeitando a idéia de que os campos são organizados hierarquicamente, existe um campo morfogenético responsável por cada tipo de comportamento. Tal campo controla e direciona os sub-campos que orientam as estruturas responsáveis por este mesmo comportamento, e assim sucessivamente em todos os níveis de complexidade da estrutura do organismo.
Agreguemos a mais esta expansão do conceito de Sheldrake a idéia de Ressonância Mórfica. A partir daí, podemos fazer uma série de conclusões: Primeiro, se todo comportamento é orientado por um campo morfogenético, então, pela influência de sua ressonância, todo e qualquer indivíduo que se conectar a tal campo será capaz de acessar as “informações” que dirigem tal comportamento, e assim também realizá-lo. Segundo, a partir do momento que um comportamento surge pela primeira vez, todo e qualquer indivíduo da mesma espécie tende a apreendê-lo mais rapidamente devido a sua ressonância. Terceiro, como foi dito acima, a ressonância de um campo age para além do espaço e do tempo. Sendo assim, todo comportamento que surge pode ser apreendido em qualquer lugar, e em qualquer momento da história. O campo morfogenético responsável por tal comportamento continua existente, mesmo após o fim de tal ação, e com isto sua ressonância, permitindo que outros indivíduos se conectem ao mesmo campo. Quarto, para que outros indivíduos possam assumir determinado comportamento, basta que entrem em contato com o campo diretor do mesmo.  Sheldrake afirma que quanto mais indivíduos perpetrarem um determinado comportamento, mais forte e intensa se torna a ressonância de seu campo, fazendo com que mais e mais indivíduos entrem em sintonia com o mesmo, e assim se comportem da mesma forma.
As implicações do que foi mencionado são claras para a psicologia em geral. Problemas como as “epidemias psíquicas” citadas por Jung, a transmissão transgeracional de um comportamento em um grupo de indivíduos, e outras questões poderiam encontrar novas possibilidades de compreensão através desta teoria. Por outro lado, com o transcorrer desta elaboração, fica cada vez mais clara uma possível conexão entre Jung e Sheldrake. Teríamos no Arquétipo o correlato do Campo Morfogenético, e na ressonância mórfica uma possível resposta para o problema da transmissão dos arquétipos. É importante termos em mente que cada autor trabalha sobre um determinado aspecto do mesmo fenômeno. Sheldrake contempla a materialidade do comportamento, e Jung seu psiquismo. Porém, Jung sinaliza a inevitável união destes aspectos, já que na verdade ambos são um só. Jung afirma: “É exatamente como formula a filosofia clássica chinesa: yang (o princípio luminoso, quente, seco e masculino) contém em si o germe do yin (o princípio escuro, frio, úmido e feminino), e vice-versa. Assim sendo descobrir-se-ia na matéria o germe do espírito, e no espírito o germe da matéria” (Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo, Editora Vozes 2007, pág. 115). No que segue, ampliaremos ainda um pouco mais as possíveis correlações entre as teorias.
É oportuno dizer que Jung não se ateve unicamente ao comportamento humano, ele também expandiu sua teoria em relação ao comportamento em geral. No livro A Natureza da Psique (Editora Vozes 2000, parágrafos 268 e 277), afirma:
“A questão de onde provêm os instintos e como foram adquiridos é extremamente complexa. O fato de eles serem invariavelmente herdados não traz nenhuma contribuição para explicar sua origem. O caráter hereditário dos instintos apenas remete o problema para nossos ancestrais. É por demais conhecida a opinião segundo a qual os instintos se originaram de um determinado ato repetido da vontade, inicialmente individual e posteriormente generalizado. Esta explicação é plausível, visto que podemos observar cada dia como certas atividades aprendidas laboriosamente se tornam gradualmente automáticas pelo exercício constante. Por outro lado, convém sublinhar que o fator aprendizagem falta inteiramente nos instintos mais maravilhosos, observados no mundo animal. Em muitos casos é impossível imaginar como tenha podido haver algum tipo de aprendizagem e exercitação. Seja por ex., o instinto de reprodução extremamente refinado da Pronuba yuccasella, a mariposa da iúca. Cada flor da iúca se abre apenas por uma única noite. A mariposa tira o pólen de uma dessas flores e o transforma em bolinha. A seguir procura uma segunda flor, corta-lhe o ovário e, pela abertura, deposita seus ovos entre os óvulos da planta; vai em seguida ao pistilo e enfia a bolazinha de pólen pelo orifício, em forma de funil, do ovário. A mariposa só executa esta complicada operação uma única vez em sua vida.
(…) Da mesma forma que somos obrigados a formular o conceito de um instinto que regula ou determina nosso comportamento consciente, assim também, para explicar a uniformidade e a regularidade de nossas percepções, precisamos de um conceito correlato, de um fator que determina o modo de apreensão. É precisamente a este fator que eu chamo de arquétipo ou imagem primordial. (…) Do mesmo modo como a apreensão consciente imprime forma e finalidade ao nosso comportamento, assim também, a apreensão inconsciente determina a forma e a destinação do instinto, graças ao arquétipo. Assim como dizemos que o instinto é refinado, assim também a intuição, que põe em ação o instinto, isto é, a apreensão mediante o arquétipo, é de incrível precisão. Por isso, a mariposa da iúca, acima mencionada, deve trazer dentro de si, por assim dizer, uma imagem daquela situação que provocou o seu instinto. Esta imagem dá-lhe a capacidade de reconhecer as flores da iúca e a sua estrutura”.
Para Sheldrake, o que orientaria o comportamento da mariposa seria o campo morfogenético responsável pela sua reprodução. Apesar de só se realizar uma única vez em toda a vida da mariposa, isto já é suficiente, pois o que importa não é a quantidade de vezes que o comportamento se repete, mas sim o fato de o mesmo estar em ressonância com o campo que dirige tal ação. Tal campo surgiu em tempos imemoriais, e persiste através do tempo e do espaço graças à ressonância mórfica.
Arquétipo e Campo Morfogenético seriam, como estruturas reflexas, cada uma em sua dimensão (materialidade e psiquismo), que têm como função nortear o processo vital em todos os seus níveis de complexidade. Desse modo, não poderíamos de imediato afirmar que o campo morfogenético estaria armazenado, assim como o arquétipo, na psique. Afinal, aquele faz parte de outra dimensão do processo vital, a saber, a matéria. Porém, tais dimensões são aspectos de uma mesma unidade, qual seja o indivíduo. Daí não abrirmos mão de nenhuma possibilidade. Seguramente, da mesma forma que arquétipo sempre estará presente na vida do indivíduo, o campo morfogenético também.
De qualquer forma, é válido ressaltar um pensamento de Jung a respeito: “Tanto a matéria como o espírito aparecem na esfera psíquica como qualidades que caracterizam conteúdos conscientes. Ambos são transcendentes, isto é, irrepresentáveis em sua natureza, dado que a psique e seus conteúdos são a única realidade que nos é dada sem intermediários” A Natureza da Psique (Editora Vozes 2000, pág. 153).
Por fim, é importante comentar a série de experimentos elaborados por Sheldrake, bem como os realizados pela Física, que de fato revelam indícios de um princípio norteador dos fenômenos da natureza. Tais avanços são “inexplicavelmente” pouco comentados, e até mesmo ignorados. Todos estes confirmando várias idéias e previsões de Jung.
Referências Bibliográficas
Jung, Carl Gustav – Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo – 5ª. Edição, Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.
Jung, Carl Gustav – A Natureza da Psique – 5ª. Edição, Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.
Sheldrake, Rupert – A New Science of Life: the hypothesis of morphic resonance - London: Blond & Briggs, 1981.
O autor, Jackson José de Jesus Ferreira Junior, é estudante de Psicologia da Universidade do Amazonas.


sexta-feira, 10 de maio de 2013

Campos morfogenéticos


Havia um arquipélago no Pacífico povoado apenas por macacos. Eles se alimentavam de batatas, que tiravam da terra. Um dia, não se sabe porque, um desses macacos lavou a batata antes de comer, o que melhorou o sabor do alimento. Os outros o observaram, intrigados, e aos poucos começaram a imitá-lo. Quando o centésimo macaco lavou a sua batata, todos os macacos das outras ilhas começaram a lavar suas batatas antes de comer. E entre as ilhas não havia nenhuma comunicação aparente.
Essa história (fictícia) exemplifica uma teoria criada pelo fisiologista inglês Rupert Sheldrake, denominada teoria dos campos morfogenéticos. Segundo o cientista, os campos mórfogenéticos são estruturas invisíveis que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material. Todo átomo, molécula, célula ou organismo que existe gera um campo organizador invisível e ainda não detectável por qualquer instrumento, que afeta todas as unidades desse tipo. Assim, sempre que um membro de uma espécie aprende um comportamento, e esse comportamento é repetido vezes suficiente, o tal campo (molde) é modificado e a modificação afeta a espécie por inteiro, mesmo que não haja formas convencionais de contato entre seus membros. Isso explica porque, no exemplo, todos os macacos do arquipélago de repente começaram a lavar suas raízes, sem que houvesse comunicação entre as ilhas.
Mas outros exemplos na natureza - desta vez verdadeiros - ilustram bem uma organização invisível no comportamento dos animais. Pegue um gato, por exemplo. Separe-o do convívio com outros gatos poucos dias após o nascimento (algo infelizmente comum) e crie-o isolado. Ele vai ter todas as características comportamentais de um gato, as brincadeiras, inclusive o cacoete de só fazer as necessidades na areia (se tiver areia no lugar, claro). Quem ensinou isso? Milhares de anos de evolução, dirão os Darwinistas. Deus, dirão os Criacionistas. Mas nem um nem outro explica a questão: Quem ensinou isso ao maldito gato que foi criado fora do convívio dos outros de sua maldita raça milenar?!
Ainda mais extraordinários são os pássaros jardineiros, cujo ninho é uma obra de arte, feito de palhas e ramos, e que não se esquecem, para encantar mais a fêmea, de enfeitar com o que se denomina "jóias", sejam ervas ou flores, ou pedrinhas todas iguais, para atapetar o chão. Quem ensinou isso? Foi um Deus caprichoso, que estava numa fase mais artistica e deu esse dom pra esse pássaro e não para os outros? Ou foram seus genes, tão caprichosos quanto? Será que, baseado tão-somente na sobrevivência e possibilidades de acasalamento, não seria mais inteligente pra natureza espalhar essa técnica pra todos os pássaros e outros animais?
A ciência dá um valor muito alto aos genes. É uma verdadeira panacéia: se não sabemos explicar algo, simplesmente "culpamos" os genes. Exemplo disso é o processo de diferenciação e especialização celular que caracteriza o desenvolvimento embrionário. Como explicar que um aglomerado de células absolutamente iguais, dotadas do mesmo patrimônio genético, dê origem a um organismo complexo, no qual órgãos diferentes e especializados se formam, com precisão milimétrica, no lugar certo e no momento adequado? A biologia reducionista diz que isso se deve à ativação ou inativação de genes específicos, e que tal fato depende das interações de cada célula com sua vizinhança (entendendo-se por vizinhança as outras células do aglomerado e o meio ambiente). Tal formação do embrião acontece com precisão tanto aqui quanto na China, tanto no frio como no calor, tanto na poluição e radiação de NY, quanto nos bucólicos campos da Escócia...
A biologia reducionista transformou o DNA numa cartola de mágico, da qual é possível tirar qualquer coisa. Na vida real, porém, a atuação do DNA é bem mais modesta. O código genético nele inscrito coordena a síntese das proteínas, determinando a seqüência exata dos aminoácidos na construção dessas macro-moléculas. Os genes ditam essa estrutura primária e ponto. "A maneira como as proteínas se distribuem dentro das células, as células nos tecidos, os tecidos nos órgãos e os órgãos nos organismos não estão programadas no código genético", afirma Sheldrake. "Dados os genes corretos, e portanto as proteínas adequadas, supõe-se que o organismo, de alguma maneira, se monte automaticamente. Isso é mais ou menos o mesmo que enviar, na ocasião certa, os materiais corretos para um local de construção e esperar que a casa se construa espontaneamente."
A morfogênese, isto é, a modelagem formal de sistemas biológicos como as células, os tecidos, os órgãos e os organismos seria ditada pelos campos morfogenéticos, uma estrutura espaço-temporal que direcionaria a diferenciação celular, fornecendo uma espécie de roteiro básico ou matriz para a ativação ou inativação dos genes, um papel semelhante ao da planta de um edifício. Devemos ter claras, porém, as limitações dessa analogia. Porque a planta é um conjunto estático de informações, que só pode ser implementado pela força de trabalho dos operários envolvidos na construção. Os campos morfogenéticos, ao contrário, estão eles mesmos em permanente interação com os sistemas vivos e se transformam o tempo todo graças ao processo de ressonância entre os campos.
Tanto quanto a diferenciação celular, a regeneração de organismos simples é um outro fenômeno que desafia a biologia reducionista e conspira a favor da hipótese dos campos morfogenéticos. Ela ocorre em espécies como a dos platelmintos, por exemplo. Se um animal desses for cortado em pedaços, cada parte se transforma num organismo completo. Tal organismo parece estar associado a uma matriz invisível, que lhe permite regenerar sua forma original mesmo que partes importantes sejam removidas. Sheldrake já realizou várias pesquisas para provar que o corpo possui um campo mórfico e, quando se perde uma parte desse corpo, o campo permanece. Um exemplo é uma das experiências que fez: Uma pessoa que não tem parte do braço age como se estivesse empurrando o membro fantasma através de uma tela fina. Do outro lado da tela, uma outra pessoa tenta tocar o braço fantasma. De acordo com Sheldrake, as duas pessoas envolvidas na experiência são capazes de sentir o toque. É uma prova (subjetiva) de que alguma coisa do braço ainda existe concretamente, e não apenas no cérebro da pessoa que o perdeu.
Depois de muitos anos de estudo e pesquisa chegou-se à conclusão de que a chave desse mistério estaria numa espécie de memória: uma memória coletiva e inconsciente que faz com que formas e hábitos sejam transmitidos de geração para geração. O campo morfogenético seria uma região de influência que atua dentro e em torno de todo organismo vivo. Algo parecido com o campo eletromagnético que existe em volta dos imãs. Para o cientista, cada grupo de animais, plantas, pássaros etc, está cercado por uma espécie de campo invisível que contém uma memória, e que cada animal usa a memória de todos os outros animais da sua espécie. Esses campos são o meio pelo qual os hábitos de cada espécie se formam, se mantém e se repetem. No exemplo dos macacos, o conhecimento adquirido por um conjunto de indivíduos agrega-se ao patrimônio coletivo, provocando um acréscimo de consciência que passa a ser compartilhado por toda a espécie.
O processo responsável por essa coletivização da informação foi batizado por Sheldrake com o nome de ressonância mórfica. Por meio dela, as informações sepropagam no interior do campo mórfico, alimentando uma espécie de memória coletiva.
Os seres humanos também têm uma memória comum. É o que Jung chamou de inconsciente coletivo. A respeito disso, Sheldrake lança uma luz sobre a questão da existência de vidas passadas: Ele diz que, às vezes, as pessoas podem entrar em sintonia com as memórias de uma outra pessoa que existiu no passado. Isso que não significa que elas foram realmente aquela pessoa, mas que se teve acesso à memória dela. Talvez por isso existam por aí tantas reencarnações de Napoleão e Cleópatra...
Então, o campo morfogenético é algo que está dentro de nós, e fora de nós. Nos envolve e nos define, está presente em nossos pensamentos, e nossas atitudes. Pode estar por trás do Id; Pode ser a Força. O inconsciente coletivo; O Shaktipat; Em essência, o Tao; Ou mesmo Brahma! O Reino dos céus!
Os campos morfogenéticos também são responsáveis por aquela sensação que a maioria das pessoas tem quando sente que está sendo observada. Sheldrake explica:
"Entrevistei alguns detetives particulares, pessoal da vigilância na polícia, pelotões antiterrorismo da Irlanda do Norte e outras pessoas cujo negócio é olhar outras pessoas. A maior parte destes observadores profissionais está muito consciente desse fenômeno, e alguns daqueles que operam sistemas de segurança em shoppings, edifícios, aeroportos e hospitais também estão muito conscientes desse efeito. Em uma das principais lojas de departamento de Londres, os detetives da loja disseram que podiam olhar as pessoas na loja através de uma TV, e quando viam alguém roubando, um gatuno, muitas vezes perceberam que, se olhassem para essa pessoa muito intensamente, pela tela da TV, a pessoa começava a olhar a seu redor procurando as câmeras escondidas e depois devolvia o que tinha tirado e saía da loja. Um segurança em um hospital disse que onde isso dava mais certo era com uma câmera oculta que cobria uma área onde as pessoas iam fumar, embora não fosse permitido fumar no hospital, mas quando ele observava os fumantes através da televisão de circuito fechado eles imediatamente começavam a parecer constrangidos e apagavam seus cigarros e saíam dali. Portanto, há muitas experiências práticas. No SAS britânico, que são as forças especiais usadas para tomar de assalto terroristas em embaixadas e lugares semelhantes, parte do treinamento ensina que, se você está se aproximando cuidadosamente de uma pessoa por trás, para esfaqueá-la nas costas, você não deve olhar fixamente para as costas dela, porque é quase certo que, se o fizer, ela vai se virar. E a primeira lição que um detetive particular aprende sobre seguir alguém é que você não olha para quem está seguindo, porque se olhar, ele vai se virar e seu disfarce terá sido descoberto".
Parece telepatia. Mas não é. Porque, tal como a conhecemos, a telepatia é uma atividade mental superior, focalizada e intencional que relaciona dois ou mais indivíduos da espécie humana. A ressonância mórfica, ao contrário, é um processo básico, difuso e não-intencional que articula coletividades de qualquer tipo. Sheldrake apresenta um exemplo desconcertante dessa propriedade:
"Quando uma nova substância química é sintetizada em laboratório, não existe nenhum precedente que determine a maneira exata de como ela deverá cristalizar-se. Dependendo das características da molécula, várias formas de cristalização são possíveis. Por acaso ou pela intervenção de fatores puramente circunstanciais, uma dessas possibilidades se efetiva e a substância segue um padrão determinado de cristalização. Uma vez que isso ocorra, porém, um novo campo mórfico passa a existir. A partir de então, a ressonância mórfica gerada pelos primeiros cristais faz com que a ocorrência do mesmo padrão de cristalização se torne mais provável em qualquer laboratório do mundo. E quanto mais vezes ele se efetivar, maior será a probabilidade de que aconteça novamente em experimentos futuros."
Com afirmações como essa, não espanta que a hipótese de Sheldrake tenha causado tanta polêmica. Em 1981, quando ele publicou seu primeiro livro, A New Science of Life (Uma nova ciência da vida), a obra foi recebida de maneira diametralmente oposta pelas duas principais revistas científicas da Inglaterra. Enquanto a New Scientist elogiava o trabalho como "uma importante pesquisa científica", a Nature o considerava "o melhor candidato à fogueira em muitos anos".
Doutor em biologia pela tradicional Universidade de Cambridge e dono de uma larga experiência de vida, Sheldrake já era, então, suficientemente seguro de si para não se deixar destruir pelas críticas. Ele sabia muito bem que suas idéias heterodoxas não seriam aceitas com facilidade pela comunidade científica. Anos antes, havia experimentado uma pequena amostra disso, quando, na condição de pesquisador da Universidade de Cambridge e da Royal Society, lhe ocorreu pela primeira vez a hipótese dos campos mórfogenéticos. A idéia foi assimilada com entusiasmo por filósofos de mente aberta, mas Sheldrake virou motivo de gozação entre seus colegas biólogos. Cada vez que dizia alguma coisa do tipo "eu preciso telefonar", eles retrucavam com um "telefonar para quê? Comunique-se por ressonância mórfogenética". Era uma brincadeira amistosa, mas traduzia o desconforto da comunidade científica diante de uma hipótese que trombava de frente com a visão de mundo dominante. Afinal, a corrente majoritária da biologia vangloriava-se de reduzir a atividade dos organismos vivos à mera interação físico-química entre moléculas e fazia do DNA uma resposta para todos os mistérios da vida.
A hipótese dos campos morfogenéticos é bem anterior a Sheldrake, tendo surgido nas cabeças de vários biólogos durante a década de 20. O que Sheldrake fez foi generalizar essa idéia, elaborando o conceito mais amplo de campos mórficos, aplicável a todos os sistemas naturais e não apenas aos entes biológicos. Propôs também a existência do processo de ressonância mórfica, como princípio capaz de explicar o surgimento e a transformação dos campos mórficos. Não é difícil perceber os impactos que tal processo teria na vida humana. "Experimentos em psicologia mostram que é mais fácil aprender o que outras pessoas já aprenderam", informa Sheldrake.
Ele mesmo vem fazendo interessantes experimentos nessa área. Um deles mostrou que uma figura oculta numa ilustração em alto constraste torna-se mais fácil de perceber depois de ter sido percebida por várias pessoas. Isso foi verificado numa pesquisa realizada entre populações da Europa, das Américas e da África em 1983. Em duas ocasiões, os pesquisadores mostraram as ilustrações 1 e 2 a pessoas que não conheciam suas respectivas "soluções". Entre uma enquete e outra, a figura 2 e sua "resposta" foram transmitidas pela TV. Verificou-se que o índice de acerto na segunda mostra subiu 76% para a ilustração 2, contra apenas 9% para a 1. Numa universidade inglesa, alguns pesquisadores conseguiram provar que as palavras cruzadas dos jornais são muito mais fáceis de resolver quando feitas no dia seguinte à publicação original.
Esse fenômeno é muito comum entre os químicos. Quando um deles tenta cristalizar um novo composto leva muito tempo para conseguir um bom resultado. Mas a partir desse momento em outros lugares do mundo muitos outros químicos conseguem cristalizar o mesmo composto num tempo muito mais curto.
Isso explicaria o porquê da geração dos anos 80 ter tido facilidade de programar o videocassete, e a geração de 90 dominar o computador e o celular?
Se for definitivamente comprovado que os conteúdos mentais se transmitem imperceptivelmente de pessoa a pessoa, essa propriedade terá aplicações óbvias no domínio da educação. "Métodos educacionais que realcem o processo de ressonância mórfica podem levar a uma notável aceleração do aprendizado", conjectura Sheldrake. E essa possibilidade vem sendo testada na Ross School, uma escola experimental de Nova York, dirigida pelo matemático e filósofo Ralph Abraham.
Outra conseqüência ocorreria no campo da psicologia. Teorias psicológicas como as de Carl Gustav Jung e Stanislav Grof, que enfatizam as dimensões coletivas ou transpessoais da psique, receberiam um notável reforço, em contraposição ao modelo reducionista de Sigmund Freud (ver artigo "Nas fronteiras da consciência", em Globo Ciência nº 32).
Sem excluir outros fatores, o processo de ressonância mórfica forneceria um novo e importante ingrediente para a compreensão de patologias coletivas, como o sadomasoquismo e os cultos da morbidez e da violência, que assumiram proporções epidêmicas no mundo contemporâneo, e poderia propiciar a criação de métodos mais efetivos de terapia. "A ressonância mórfica tende a reforçar qualquer padrão repetitivo, seja ele bom ou mal", afirmou Sheldrake a Galileu. "Por isso, cada um de nós é mais responsável do que imagina, pois nossas ações podem influenciar os outros e serem repetidas".

Abaixo, os melhores momentos da palestra de Rupert Sheldrake, intitulada "A mente ampliada" (que pode ser lida integralmente aqui):

EXPERIMENTO DO CACHORRO
Deixe-me dar um exemplo do tipo de histórias que temos em nosso banco de dados, sobre um cachorro que sabe quando seu dono está chegando em casa. Essa é de uma pessoa no Havaí: "Meu cachorro Debby sempre fica esperando na porta uma meia hora antes de meu pai chegar em casa do trabalho. Como meu pai estava no exército, ele tinha um horário de trabalho muito irregular. Não fazia diferença se meu pai ligava antes, e uma época eu achei que o cachorro reagia à chamada telefónica, mas isso obviamente não era o caso, porque às vezes meu pai dizia que estava vindo para casa mais cedo, mas tinha que ficar até mais tarde. Às vezes ele nem telefonava. O cachorro nunca se enganava, portanto eu eliminei a teoria do telefone. Minha mãe foi a primeira pessoa que notou esse comportamento. Ela estava sempre preparando o jantar quando o cachorro ia para a porta. Se o cachorro não fosse até a porta, nós sabíamos que papai ia chegar mais tarde. Se ele chegasse tarde, o cachorro mesmo assim o esperava, mas só quando ele já estivesse no caminho de casa".
Temos agora em nosso banco de dados cerca de 580 relatos de cachorros que fazem isso, e cerca de 300 relatos de gatos que fazem isso, com esse tipo de qualidades. O cético de carteirinha irá dizer "bem, é apenas uma rotina", mas na maioria dos casos não é uma rotina (se fosse as pessoas nem notariam). O próximo argumento do cético de carteirinha é "bom, o que deve acontecer é que as pessoas da casa sabem quando o dono está vindo e com isso seu estado emocional muda, e o animal capta essa mudança através de deixas sutis". Bem, é claro que isso é possível se as pessoas realmente prevêem que alguém está vindo para casa, seu estado emocional pode mudar, elas podem ficar excitadas ou talvez deprimidas e o animal pode captar essa mudança emocional e reagir a ela. Mas, em muitos dos casos, as pessoas na casa não sabem quando a outra está vindo para casa, é o animal que lhes diz, e não elas que dizem ao animal.
Quando eu estava discutindo esse assunto com Nicholas Humphrey, meu amigo cético disse: "bem, tudo isso ainda não elimina a possibilidade de que eles ouvem o barulho do motor do carro, um motor de carro familiar a 30, 40 quilômetros de distância", e eu disse: "isso é obviamente impossível". E ele: "pelo contrário, apenas demonstra como a audição dos cachorros é aguçada". Foi essa discussão que levou à ideia de fazer um experimento. Eu disse: "OK, e se eles vierem para casa de táxi, ou no carro de um amigo, ou de trem, ou de bicicleta da estação em uma bicicleta emprestada, para que não haja sons familiares?" E ele disse: "nesse caso, o cachorro não reagiria", e desde a publicação deste livro eu já descobri muitos cachorros, gatos e outros animais que fazem isso.
Telefonamos para pessoas escolhidas aleatoriamente usando técnicas padronizadas de amostragem e perguntamos se elas tinham animais. Dos donos de animais, havia mais donos de cachorros do que de gatos na maior parte das localidades. Perguntávamos: então "seu animal parece saber previamente quando um membro da família está vindo para casa?" Aproximadamente 50% dos donos de cachorro em todas as localidades disseram que sim - em Los Angeles foram mais de 60% - e podemos ver através desses resultados que os gatos em todas as localidades fazem isso menos que os cachorros.
Nos primeiros experimentos que foram feitos, pedíamos às pessoas que anotassem em um caderno o comportamento do cachorro, mas os céticos disseram: "bem, assim você tem uma tendência subjetiva". Portanto, agora nós fazemos uma fita de vídeo de todos os experimentos. Temos uma câmera de vídeo em tripé, apontando para o lugar onde o cachorro ou o gato esperam pela pessoa que vem para casa. Há um controle de tempo na câmera e ela fica funcionando por horas. Então, temos horas de filme que irão mostrar se o cachorro ou o gato vão até a janela, e por quanto tempo ficam lá, um registro objetivo e perfeito. O que vou lhes mostrar é um vídeo de um desses experimentos que foi feito com um cachorro com que trabalhei principalmente na Inglaterra. O cachorro chama-se JT e o nome de sua dona é Pam. Quando Pam sai, ela deixa JT com seus pais, que vivem no apartamento ao lado do dela. Eles observaram há muitos anos que JT sempre ia para a janela quando Pam estava a caminho de casa, ou quase sempre. Esse experimento foi filmado profissionalmente pela televisão estatal austríaca, e foi filmado com duas câmeras, para que pudéssemos ver o cachorro e a pessoa que estava na rua ao mesmo tempo. E foi combinado que eles escolhessem as horas de sua vinda para casa de maneira aleatória, que nem ela mesma soubesse previamente, que ninguém soubesse previamente; e ela viria para casa de táxi, para eliminar a possibilidade de sons de carros familiares. Esse, portanto, é um experimento que foi realizado dentro dessas condições.
Na vida real, Pam não vem para casa em horas escolhidas aleatoriamente, e que ela própria desconheça previamente. Quando está no trabalho, ou quando sai para fazer compras ou visitar amigos, ela vem para casa em vários momentos diferentes, e nós monitoramos regularmente as horas em que ela volta, mais de 200 experimentos foram monitorados, temos dezenas deles em vídeo. O cachorro nem sempre reage, cerca de 85% das vezes JT realmente espera por ela quando ela está vindo para casa, cerca de 15% ele não o faz. Analisamos as ocasiões em que ele não faz, a maioria das vezes ocorreu quando a cadela do apartamento vizinho estava no cio. Isso mostra que JT pode se distrair. Isso também ocorreu algumas vezes quando havia visitas na casa ou outro cachorro, e algumas vezes sem nenhum motivo. De qualquer forma, JT normalmente reage quando Pam decide que vai para casa. No filme vê-se que ele não começa a reagir quando ela entra no táxi, e sim quando ela estava pronta para ir para casa. Na vida real ele não reage quando ela entra no carro para ir para casa, e sim quando elacomeça a se despedir dos amigos e pensando "bem, vou-me embora". Ele parece captar essa intenção dela. É bem verdade que JT vai até a janela ocasionalmente quando Pam não está a caminho de casa, normalmente porque vai latir para um gato que passa na rua ou está olhando alguma coisa que está acontecendo do lado de fora. Nesses gráficos incluímos todos esses casos, embora fique claro no vídeo que ele não está esperando, mas como os céticos dizem que, se você usar evidência seletiva isso demonstra que você inventou a coisa toda, não fizemos nenhuma seleção aqui. Às vezes há uns trechos barulhentos, quando ele vai até a janela de qualquer maneira, mas podemos ver que isso é a média de 12 ocasiões diferentes quando ela estava fora por mais de 3 horas. O tempo que ele está esperando na janela é maior quando ela está no caminho de casa do que quando ela não está. Vemos um pequeno aumento antes de ela ir para casa que, a meu ver, tem relação com esse efeito antecipatório.
JT está obviamente esperando por ela principalmente quando ela está no caminho de casa. O que é claro nesses gráficos é que JT não vai para a janela com mais frequência quanto mais tempo ela estiver fora. Ele obviamente está muito mais na janela aqui, quando ela está no caminho de volta, do que nos períodos correspondentes aqui. Esses efeitos têm uma enorme significância estatística. Vários tipos de análise mostram significâncias que vão mais além da escala de meu computador. Esses efeitos são do tipo p é menor que .00001.
Esses resultados foram amplamente publicados na Grã-Bretanha, nos jornais, e - é claro - foram criticados pelos céticos, que estão sempre prontos para dizer que nada semelhante poderia ocorrer. Um dos céticos mais ativos na Grã-Bretanha, cujo nome é Richard Wiseman, disse que eu não tinha usado procedimentos adequados, não os tinha registrado de forma adequada, etc. Eu fiz também muitos experimentos com horas de retorno aleatórias. Pam tem umpager em seu bolso que eu ativei por telefone de Londres e ela vem para casa em momentos verdadeiramente aleatórios, usando um desses pagers da telecom. De qualquer forma, ele criticou os detalhes, então eu disse: "Tudo bem, por que você mesmo não faz o experimento? Eu organizo tudo para que você possa fazê-lo com o mesmo cachorro. Emprestamos uma câmera de vídeo, Pam irá onde você quiser, o seu ajudante ficará observando-a". Na verdade, então, o próprio Wiseman filmou o cachorro e ficou no apartamento dos pais da Pam, enquanto seu ajudante ia com a Pam para pubs, ou outros lugares, até que em um momento determinado aleatoriamente fosse decidido que eles voltariam para casa. Eles checavam o tempo todo para garantir que não haveria chamadas telefônicas secretas, nenhum meio de comunicação invisível, nenhuma fraude ou trapaça.
Wiseman é um mágico, e ele é um desses céticos que está sempre afirmando que tudo pode ser feito por trapaça ou ilusionismo. Bem, ele mesmo esteve lá, e eles estavam se protegendo de tudo, e ele realizou três experimentos com Pam na casa de seus pais, e esses foram os resultados dos três experimentos que ele fez, usando todos seus controles rigorosíssimos, seu próprio procedimento aleatório, e outras coisas mais (os resultados são exatamente iguais aos outros; o público ri). Portanto, esses resultados são sólidos, mesmo com um cético, que ao fazer o experimento na verdade não quer que ele dê certo. Atualmente realizo uma série de experimentos em Santa Cruz, Califórnia, com um tipo de periquito italiano que mostra o mesmo tipo de reação: eles guincham quando o dono está vindo para casa, e obtemos quase o mesmo tipo de gráficos, mostrando que os guinchos vão aumentando de intensidade quando o dono está a caminho de casa em horas aleatórias.
Um cão e um ser humano, quando formam uma união entre eles, são parte de um grupo social. Os cães são animais intensamente sociais, eles descendem dos lobos que têm uma vida social intensa. Portanto, eu acho que o que ocorre quando uma pessoa sai de casa, é que ela ainda continua conectada pelo campo mórfico da família, do qual o cão é parte. O campo mórfico se estica, por assim dizer, mas eles ainda estão ligados por esse campo mórfico, e é devido a essa conexão contínua invisível que a informação pode viajar, as intenções da pessoa podem afetar o cachorro em casa.
Portanto, eu interpreto tudo isso em termos de campos mórfícos. É claro, outras pessoas podem querer interpretá-lo em termos de outras coisas, e pode ser que isso esteja relacionado com a não-localidade quântica, ninguém sabe. Existem na física quântica, fenômenos não-locais misteriosos, sistemas que foram conectados como parte do mesmo sistema, e quando são separados retêm essa conexão não-local e não separável à distância. Bem, uma pessoa e um cachorro, que estiveram conectados por terem vivido juntos como companheiros, quando se separam podem ter uma conexão não-local semelhante. Mas ninguém sabe se essa não-localidade quântica se estende aos fenômenos macroscópicos ou não.

MEMÓRIA COLETIVA
Acho que esses campos têm uma espécie de memória, essa é minha ideia de ressonância mórfíca, o que significa que cada tipo de campo mórfico tem uma memória de sistemas passados semelhantes, por meio de um processo de ressonância através do espaço e do tempo. Os campos são locais, estão dentro e ao redor do sistema que eles organizam, mas sistemas semelhantes têm uma influência não-local através do espaço e do tempo, oriunda da ressonância mórfíca, que dá uma memória coletiva para cada espécie. Não tenho tempo de explicar os detalhes da teoria da ressonância mórfíca, a não ser para dizer que cada espécie neste planeta teria uma memória coletiva. Todos os ratos extrairiam memórias da memória coletiva de ratos anteriores. Se ratos aprenderem um novo truque no laboratório, outros ratos em outros locais deveriam ser capazes de aprender o mesmo truque mais rapidamente. Haja evidência, que eu discuti em meus livros, de que isso realmente ocorre.
No reino humano, se as pessoas aprendem uma nova habilidade, como windsurf, ou andar de skate, ou programação de computador, o fato de que muitas pessoas já aprenderam a mesma coisa deveria fazer com que fosse mais fácil para os outros aprenderem. Bem, essa é uma teoria que, claramente, é muito polêmica, e eu a descrevi em detalhe em meus livros A new science of life e A presença do passado. Já houve um número considerável de testes experimentais, e quando um número grande de pessoas está envolvida, eles dão resultados positivos; com uma amostra pequena (20, 30 pessoas) aprendendo algo novo, os resultados são às vezes positivos e às vezes não significativos. Esses efeitos são relativamente pequenos e difíceis de detectar no contexto de variações individuais. Mas há certos tipos de evidência que surgiram espontaneamente, que são relevantes aqui, e um deles está relacionado com testes de QI. Como vocês sabem, os testes padrão de QI vêm sendo ministrados por muitos anos para medir a inteligência e esses mesmos testes são aplicados ano após ano. Foram feitos estudos para examinar a contagem de testes de QI no decorrer do tempo; quando examinamos o desempenho absoluto nesses testes - e aqui estamos falando de testes feitos por milhões de pessoas - os testes mostram um efeito muito interessante que foi descoberto pela primeira vez por James Flynn, e portanto é chamado de Efeito Flynn: há um aumento misterioso e inesperado nas porcentagens do QI com o correr do tempo. Aqui temos um gráfico mostrando resultados de testes de QI, tirado de um número recente da revista Scientific American. As porcentagens aumentaram uns três por cento a cada década, não só nos Estados Unidos, mas também na Inglaterra, na Alemanha e na França. Por que o QI é uma questão polêmica na psicologia, tem havido muita discussão sobre a razão pela qual isso aconteceu: melhor nutrição, escolas melhores, mais experiência com os testes, e assim por diante. Mas nenhuma dessas teorias foi capaz de explicar mais do que uma fração desse efeito. O próprio Flynn, após 10 anos pensando sobre isso, e testando todas essas explicações, chegou à conclusão que o efeito é desconcertante, não há explicação para ele na ciência convencional. No entanto, é apenas o tipo de efeito que seria de se esperar com a ressonância mórfíca. Não é porque as pessoas estão realmente ficando mais inteligentes, mas o que está acontecendo é que elas simplesmente estão mais eficientes quando fazem os testes de QI, e eu acho que isso ocorre porque milhões de pessoas já fizeram os mesmos testes.

CRISTAIS
Se você fizer um novo cristal que nunca existiu antes, não poderia existir um campo mórfico para esse cristal. Essa teoria se aplica também a moléculas. Se você a cristalizar repetidamente, o campo mórfico ficará mais forte, e ficaria mais fácil para a substância se cristalizar. Na verdade isso é um fato bem conhecido dos químicos, que os novos compostos se cristalizam com mais facilidade com o passar do tempo nos vários laboratórios. A explicação desses químicos é que isso ocorre porque fragmentos dos cristais anteriores são levados de um laboratório para o outro, nas barbas de químicos migrantes, ou que foram transportados da atmosfera como partículas invisíveis de poeira. Mas eu estou sugerindo que isso poderia ser um efeito da ressonância mórfica e essa é uma das áreas em que ela pode ser testada. Na química existem também outras áreas onde ela pode ser testada.

O UNIVERSO E OS ANJOS
Átomos, moléculas, cristais, organelas, células, tecidos, órgãos, organismos, sociedades, ecossistemas, sistemas planetários, sistemas solares, galáxias: cada uma dessas entidades estaria associada a um campo mórfogenético específico. São eles que fazem com que um sistema seja um sistema, isto é, uma totalidade articulada e não um mero ajuntamento de partes.
Se, através da teoria de Gaya, estamos passando a enxergar a Terra como um organismo vivo, então será que a Terra pensa? Será que ela poderia ser consciente? E o Sol? Todas as religiões tradicionais tratam o Sol como sendo consciente. É um deus (Hélios), na religião grega. Mitra, na Pérsia. Surya, na Índia, onde seus devotos o saúdam pela manhã, através de um exercício de yoga chamado Surya namaskar. Portanto, estas são tradições que existem em todas as partes, mas, é claro, para nós, com uma estrutura científica, o Sol é apenas uma grande explosão nuclear do tipo que ocorre o tempo todo emitindo radiação.
O Sol, sabemos hoje em dia, tem uma série incrível de mutações de ressonância elétrica e magnética ocorrendo em seu interior: ciclos de onze anos, explosões de manchas solares, dinâmica caótica, freqüências ressonantes. Atualmente sistemas estão monitorando, com um detalhamento anteriormente considerado impossível, essas incríveis mudanças eletromagnéticas - minuciosas e complexas - que estão ocorrendo no Sol. Bem, se padrões elétricos complexos são uma interface suficiente para a consciência e o cérebro humano, por que é que o Sol não poderia tê-los também? Por que o Sol não poderia pensar? E se o Sol é consciente, por que não as estrelas? E se as estrelas são conscientes, por que não as galáxias? Essas últimas teriam uma consciência de um tipo muito mais inclusivo do que a das estrelas que elas contêm. E se galáxias, por que não os grupos de galaxias? Então teríamos uma idéia de níveis hierárquicos de consciência por todo o universo. É claro, na tradição ocidental, como em todas as tradições, temos uma idéia exatamente desse tipo. A idéia das hierarquias dos anjos na Idade Média não era a de seres com asas - isso era apenas uma maneira bastante ingênua de representá-los. Eles eram compreendidos tradicionalmente como níveis de consciência além do humano. Havia nove níveis, dos quais três ou mais eram relacionados com as estrelas e com a organização de corpos celestiais. Eles eram as inteligências das estrelas e dos planetas, os três níveis intermediários dos anjos. Portanto, já existe a tradição no ocidente sobre uma consciência super-humana.

Referência: Site de Rupert Sheldrake;
O Renascimento da Natureza: o Reflorescimento da Ciência e de Deus; Rupert Sheldrake - Ed. Cultrix;
Caos, Criatividade e o Retorno do Sagrado: Triálogos nas Fronteiras do Ocidente; Ralph Abraham, Terence McKenna e Rupert Sheldrake - Ed. Cultrix/Pensamento;
A revolução da consciência - novas descobertas sobre a mente no século XXI; Francisco Di Biase e Richard Amoroso - Ed. Vozes; 
(1994). Seven experiments that could change the world. Londres, Fourth Estate;
(l998). The sense of being stared at: experiments in schools. Journal of the Society for PsychicalResearch, 62, p. 311-323; 
(1998). Experimenter effects in scientific research: how widely are they neglected? Journal of Scientific Exploration, 12, p. 73-78; 
(1999). The sense of being stared at confirmed by simple experiments. Biology Forum, 92, p. 53-76;
(1999). Dogs that know when their owners are coming home. Londres, Hutchinson;
(1999). How widely is blind assessment used in scientific research? Alternative Therapies, 5, p. 88-90.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

O que acontece depois da morte?


Perdi minha mãe no dia 17/12/2008 e está muito dificil viver sem ela. Não entendo muito sobre vida pós-morte,mas sei que podemos prejudicá-los muito se não aceitamos sua morte. Se possível gostaria de comunicar-me com
ela e o que devo fazer para deixá-la descansar em paz?”
 
Ana Flores


É certo, Ana, que a nossa crença nas manifestações espíritas nos possibilita, além do conforto em crer na continuidade da vida, agir sobre os aqueles que se foram, de modo amenizar a nova experiência. Saiba que os espíritos recém desencarnados, tendo mais afinidade com os homens do que com os espíritos puros, em virtude de sua constituição ainda grosseira, são, por isso mesmo, mais acessíveis à nossa influência. Entrando em comunicação com eles, podemos preencher uma generosa missão, instruí-los, moralizá-los e, ao mesmo tempo, melhorarmos, sanearmos o meio em que todos vivemos, proporcionando e atraindo bons fluídos.

León Denis ensina, em seu livro “Depois da Morte”, que os espíritos ouvem os nossos apelo e as nossas evocações. Os nossos pensamentos, simpáticos, envolvendo-os como uma corrente elétrica e atraindo-os a nós, permitem que conversemos com eles. As nossas preces são como uma luz que os esclarece. E é agradável perceber que não estão abandonados na imensidade; que há ainda na Terra seres que se interessam pela sua sorte e desejam a sua felicidade. E, mesmo quando ainda não tenham condições de alcançar o entendimento através de nossas orações, estas ainda são úteis, arrancando-os do desespero, dando-lhes força para lutarem contra as influências perniciosas e ajudando-os a seguir seu caminho.